Como vimos no texto da semana passada, a obesidade é um problema crescente em nosso país, mesmo com o avanço das cirurgias bariátricas e a criação de novos tipos de dietas. Por que esses procedimentos não trazem o efeito desejado?

Estudos feitos com pessoas e ratos de laboratório concluem que qualquer ser vivo que passe por restrição alimentar se alimenta muito mais quando tem acesso à fartura alimentar.  Portanto fazer uma dieta radical sem ser algo gradativo aumenta o estresse e reprograma o cérebro a responder buscando alimentos mais palatáveis com maior densidade calórica.

Veja esse vídeo que fiz sobre o assunto:

Hoje na sociedade as pessoas estão cada vez mais dependentes de computador, passam por privação de sono, estão fisicamente inativos, cronicamente estressados e com abundância de comida, então estamos em uma luta fisiológica contra a abundância de comida, nunca se teve tanto alimento à disposição com tão fácil acesso.

Outro ponto muito importante a ser observado é de que forma essas pessoas com sobrepeso/obesidade se enxergam, e como já vimos em textos anteriores, esse aspecto é de grande importância para uma mudança de atitude.

A pessoa que possui o sobrepeso ou obesidade é sempre “culpada” ou “responsável” socialmente pela sua condição então por consequência ele internaliza essa característica e isso aumenta ainda mais as chances do aparecimento de Transtorno Compulsivo Alimentar. Um estudo feito sobre a autoimagem em pessoas com obesidade resultou em 72% se considera preguiçoso, 24% se considera burro, 16% sujo, 15% sem força de vontade. Quando a pessoa possui esse conceito de si mesmo é muito difícil que exista um autocuidado, por esse motivo recorrer a bariátrica se torna uma solução externa, um pedido de socorro como se fosse uma fala: – Tire isso de mim porque eu não consigo.

Após analisar tudo isso, nos perguntamos qual a forma mais efetiva de emagrecer de forma, efetiva, consciente e definitiva?

Veja esse vídeo que fiz sobre o assunto:

1 – Criar uma boa imagem corporal – Para que exista o autocuidado é necessário que exista um carinho pelo corpo que se carrega, para que se inicie esse processo é importante que se compreenda que não se trata de um procedimento, é algo que se desenvolve em um processo que requer vontade e dedicação (TODOS possuem características valiosas que necessitam ser valorizadas).

2- Focar sempre na melhoria da saúde – Ter consciência de qualidade de vida, saúde a longo prazo é um excelente foco para se dar, estar sempre conectado com a questão estética de emagrecimento, pode muitas vezes não ser motivador, pensar nos filhos que tem por criar (por exemplo), pode ser uma ótima estratégia para começar a se preocupar com a saúde.

3-  Começar a comer pelo bem-estar – a dieta tem que ser sempre vinculada a um novo prazer estimular a sensação de fome e saciedade são ótimas formas de empoderar a pessoa que quer emagrecer, em dietas que se segue a quantidade pré-estabelecida, horário regrado, gera pouca independência e autoconceito.

4- Comer com atenção plena- prestar atenção no que se está fazendo, sem no olhar celular, sem comer olhando para a TV, sem discutir com os filhos, sem brigar com o marido, enfim estar concentrado apenas na comida, estudos mostram que 86% dos quadros de Compulsão Alimentar melhoram a partir do momento que se tem foco na alimentação.

5- Prática de atividade prazerosa – Fazer atividade física é importante e fundamental, no entanto o prazer necessita ser uma premissa básica para a prática, quando não existe prazer por aquilo que se faz é muito difícil que se consiga manter a longo prazo.

6- Definir de forma clara qual o motivo de querer emagrecer – quando o emagrecimento acontece de forma automática e o objetivo do porque se quer emagrecer está vago, é muito difícil que a pessoa consiga se manter no projeto, é necessário que os objetivos sejam motivados por algo próprio, ou seja, não ter na cabeça que quer emagrecer porque quer agradar o marido, o que motiva necessita ser algo interno.

7- Trazer para o consciente o que come ao longo do dia – Muitos que estão no processo de emagrecer dizem estar comendo pouco mas quando se analisa profundamente passa o dia petiscando ou dá uma mordidinha ali ou aqui e não considera isso, então anotar o que se come em um caderno por uma semana, ajuda bastante a se conscientizar da quantidade alimentar ingerida.

8- Criar mini-metas – Saber comemorar cada avanço, vibrar a cada melhora, e criar metas reais e possíveis é uma ótima forma de conseguir emagrecer. Quando o projeto é emagrecer 30 quilos, pode parecer distante não é mesmo? Estipule uma meta possível semanal, por exemplo “Vou perder um quilo essa semana” desta forma no final da semana você se motiva porque conquistou e consegue seguir a reeducação alimentar na semana seguinte e aos poucos você irá evoluir. Quando pensamos em saúde temos também que saber valorizar que com uma alimentação adequada teremos uma unha mais bonita, o cabelo mais hidratado e vários outros benefícios então pensar na questão da saúde como um todo é bastante importante para conseguir emagrecer curtindo e com prazer.

9 – Diminuir a ansiedade –  a ansiedade é caracterizada como uma aceleração do pensamento , então muitas vezes descontamos na alimentação uma angústia que nem mesmo temos claro o que é. Anotar em um papel o que tanto nos incomoda além de nos conscientizar do problema ajuda muito na desaceleração, e começamos a ver de forma mais clara a situação. Ao identificar o que nos incomoda conseguimos implementar soluções de uma forma mais clara sem automatizar a alimentação.

Toda semana posto dois vídeos sobre emagrecimento no meu canal do Youtube, inscreva-se: https://www.youtube.com/psicologiadanutricao